(Texto escrito por @francfloyd)
Sábado
Da Margarina ao Gloss: minha sina para o luxo
Tudo começou num almoço de domingo. Minha mãe, às vezes, chutava o pau da barraca. Deixava de pagar alguma conta e comprava para comermos frango de padaria, aquela obra de arte vulgar da gastronomia barata. Naqueles tempos, domingo feliz era domingo que tivesse frangão dourado com maionese e farofa. E foi num desses almoços que descobri minha luz própria. Depois de devorar uma coxona toda lambuzada de gordura, mamãe me mandou lavar a boca. Fui ao banheiro, que ficava na casa do vizinho, no fundo do nosso terreno. Subi num banquinho e, quando me olhei no espelho daquele armário de plástico, achei absoluta a minha boca toda brilhosa com o óleo do frango. Sensualizei. Beijei o espelho. Ali, naquele banheiro de fundo de quintal que nem era meu, do lado de um vaso todo respingado de urina seca amarelada, com cheiro de ranço, tive uma certeza: vim nesse mundo para brilhar!
O problema foi que, depois disso, não tinha frango para comer todo dia. Tive, então, a minha primeira crise de histeria. Eu era uma criança chiliquenta. Queria, a todo custo, andar por aí com os meus lábios cintilantes. Chorava, sapateava, dava gritinhos e mordia todo mundo que viesse falar comigo que aquilo não era coisa de menino. Mamãe não me aguentou e comprou um pote de margarina para mim. Eu A-M-E-Y. Bezuntava meus lábios, retocava com papel higiênico e saía para escandalizar a vizinhança. Não deixava de levar meu precioso pote de margarina nem mesmo para o colégio. Meus coleguinhas, maldosos que eram, passaram a me chamar de Doriana.
É, amados, Gloss já foi Doriana. Tempos difíceis. Nasci incompleto. Minha mãe era incompleta: meio pedicure, meio cabelereira e meio depiladora. Não era ninguém ao certo, é verdade. Mas era a única coisa certa que eu tinha. Faltou-me um pai, que só esteve presente no momento em que minha mãe lhe abriu as pernas aos 16 anos de idade. Sou filho de uma vontade hormonal inconsequente e de um óvulo em ebulição. Nasci fervido. Eu não nasci no luxo. Para dizer a verdade, o luxo nasce em mim.
Só deixei de ser Doriana depois que mamãe deu uma guinada na vida. Foi quando ela foi contratada, com exclusividade, para fazer os cuidados pessoais de uma cliente de meia idade, podre de rica, poderosa e solteirona. Tratava-se de Elvira Berta, à época, editora-chefe da revista VAGA, sucesso editorial da moda brasileira nos anos 80. Ela tinha uma personalidade difícil, era sufocante e mimada. A minha mãe, quando foi chamada para trabalhar com ela, entrou em pânico. Tinha feito a unha da mão dela uma única vez, num dos poucos períodos em que conseguiu trabalhar de carteira assinada em um salão badalado. Más línguas falavam que Elvira, senhora de trejeitões lésbicos, tinha por hábito contratar moças novas por quem nutria uma certa atração. Mamãe, dona de um instinto de sobrevivência ímpar, sabia se insinuar para manter seu emprego, quando isso fosse necessário para encobrir alguma falta de habilidade ou quando tirarava um bife.
Nossa vida melhorou bastante nesta época e, finalmente, pude abandonar o potão de margarina e comecei a usar manteiga de cacau. Um sonho há muito alimentado tornara-se realidade. Adorava girar a base para ver o bastão úmido subir. Passava primeiro no lábio inferior e depois, sensualmente, esfregava um lábio no outro. Com o tempo, decepcionei-me. Manteiga de cacau é uma das maiores enganações que a humanidade já produziu. Meus lábios ficavam ressecados. Até descobrir que o problema era do cacau e não meu, sofri demais. Achei que tinha perdido meu brilho. Entrei numa fase negra, pensei em me matar.
Fiz escândalos, tentei suicídio. Minha mãe, a contragosto e já sem saber o que fazer para que eu voltasse a brilhar, comprou para mim o "Morango do Amor" da Avon. Mas antes de me entregar, ela disse: "Hugozinho, comprei isso para você, mas só vou te dar se você me prometer uma coisa. Quando você tiver empolgado com algo em público, pelo amor de Deus, para de dar gritinhos! É feio filho, não é coisa de menino isso." Eu me fiz de sério e concordei. Corri para o quarto. Quando abri a embalagem, veio aquele cheiro gostoso, tive uma vontade imensa de comer tudo aquilo. Mas da primeira vez só passei nos lábios. Quando me vi no espelho, não me aguentei, e dei um gritinho bem agudo, fiquei serelepe por uma semana seguida. Até que, um belo dia, depois do almoço, sem nada para comer de sobremesa, não resisti. Corri para o quarto e enfiei a língua no moranguinho e comi tudo.
Com o brilho labial moranguinho tive aquela sensação de ter chegado ao auge. Veio então a fase da monotonia na minha adolescência. Meio perdido e sem saber o que fazer dali para frente, comecei a experimentar substâncias ilícitas. Nessa minha fase porra louca, passei todo tipo de droga labial: Davene, Monange, Hipoglos, Óleo de Máquina Singer, Azeite Gallo com 1,5% de acidez, vaselina, KY e até mesmo graxa. Tudo e mais um pouco passou na minha boca durante esse período. Tomei coragem e passei um batom vermelho. Quando me olhei no espelho comecei a chorar, estava ridículo com aquele batom. Eu tentava a todo custo encontrar a medida perfeita do brilho.
Passei muito tempo perdido e sem rumo, até que Elvira Berta, que foi a primeira celebridade cujo coração conquistei, me deu um tubinho de Gloss de presente de Natal. O Gloss foi a medida certa que encontrei. Gloss era o meio termo entre o batom e o lábio ressecado. Com o Gloss, não precisava usar batom. Nem precisava deixar meu lábio ressecado, correndo o risco de ser confundido com um hétero. Atualmente posso dizer que estou no meu auge. Foi com o gloss que cheguei à plenitude da realização labial. Depois de descobrir o gloss, definitivamente deixei de ser Hugo Adriano Raoni e passei a ser Hugo Gloss.
(Texto escrito por @francfloyd)
(Texto escrito por @francfloyd)
Quinta-feira
Mais do que Gloss: Mais que Social
O movimento “Mais Que Social”, com pouco mais de duas semanas de vida, causou horrores e já impactou a humanidade mais que a Revolução Francesa (nossa única concorrente de peso). Toda coluna social que se preze já divulgou o movimento e teceu críticas fervorosas. Nossos iPhone e Blackberry não param de tocar. Todos os jornalistas querem falar com ele, Hugo Gloss, o mártir da nossa ideologia perfumada. Ele tem recusado falar com a imprensa . Está cansado dos jornalistas resumirem suas entrevistas quilométricas em apenas duas linhas. Para manter a integridade do movimento, ele falou com exclusividade para o "Mais Que Pior":
- Você morreria pelo movimento “Mais Que Social”? Nunca! No máximo fingiria um desmaio.
- E lutar por uma causa? Para que, amado? Você gasta a sua beleza e quando a briga terminar ela já vai estar fora de moda. Eu lanço causas, que espalham por si mesmas, não preciso brigar para convencer as pessoas a gostarem do melhor.
- Você tolera a ditadura? Super tolero. A ditadura da moda e também aquela outra DitaDura.
- Cesta Básica? Nem pensar. Cesta mais do que básica, meu amor. Adeus ao arroz e feijão. Vida longa à Veuve Clicquot e ao Foie Gras. As pessoas andam subnutridas de elegância e glamour.
- O "Mais Que Social" pretende lançar algum programa, à semelhança do Bolsa-Família? Você tá louco, fifi? Comeu "carbo" depois das 18h, foi? Não sou o pai que passa a mão na sua cabeça porque a vida-madastra te chicoteia. Talvez, muito talvez, eu faça um Bolsa-Hermès.
- O que é a liberdade? Liberdade é você poder ir e vir. Ir para Dubai e pagar U$ 10.000,00 de diária do Burj Al Arab e depois voltar para Paris e gastar o PIB de um país africano nas comprinhas de final de semana.
- O movimento já tem algum desafeto? Sim. Todo movimento tem um inimigo. No nosso caso, temos uma vilã: a Heloísa Helena. Ela aterroriza e ameaça diariamente a nossa ideologia com aquele visual fossilizado de blusinha branca e calça jeans. O que é isso, companheira? Até os "sans-cullote" tinham mais estilo.
- O declínio de uma ideologia? O Senador Suplicy trocar a bandeira vermelha do PT pela tanga vermelha do Super-Homem.
- Você tem alguma esperança com o cenário atual? Olha, a Era Obama tem sido tudo. O Obama será lembrado como um paradigma. Ele fez os políticos abandonarem as gravatas vermelhas e carregadas da Era Bush. Agora os tons estão bem mais claros e leves. E o Obama é um ótimo produto fashion. Ele tem sido inspiração para camisetas super descoladas.
- Mas e da política brasileira, aproveita alguma coisa? Somente a "Marta". Não a Suplicy, claro. Mas a base da mesa do nosso venerado Clodovil, em formato de cobra naja. Aliás, o amado Clô nos deu várias lições:
(Texto escrito por @francfloyd, com colaboração de @hugogloss e @camiladmarques)
Causas Mais Que Sociais
Com todo esse rebuliço criado em torno do movimento "Mais Que Social", estou agora em busca de "Causas Mais Que Sociais". Estou cansado desta febre de causa social. Causas sociais são tão Século XX. Além disso, a Madonna e a Angelina Jolie já adotaram metade do continente africano. E todos os animais em extinção já têm como padrinho um astro de Hollywood.
Estou à procura de uma "Causa Mais Que Social".
A causa mais que social visa, antes de tudo, à erradicação do que é vulgar. Se você luta por uma Causa Mais Que Social, você luta por um mundo de desigualdade. Onde ninguém use o mesmo modelito. Onde todos sejam diferentemente elegantes.
Estou em dúvida sobre qual causa devo abraçar. Me ajudem, fifis:
- "Abaixo o pivô". Diga sim ao implante definitivo de dentes. Nunca mais passe vergonha ao vivo, Heloísa Helena, militante amada. Feche essa janelinha, minha ativistinha ferrenha e banguela;
- "Salvem a Caxemira". Não, não luto pela independência da Caxemira, mas sim pela sobrevivência das Cabras-da-Caxemira, cuja lã tem me fornecido os echarpes Burberry mais macios que já consumi;
- "Salvem o Flamingo". Aquele pescoção rosado me dá arrepios, para que mais motivos para manter esse espécie ereta, digo, viva?
- "Pelo bife de Kobe nosso de cada dia!" Dignidade é uma vaca passar a vida inteira tomando cerveja e comendo maçã para, quando abatida, nos fornecer a carne mais macia e saborosa da face da terra;
- "Pela Cirrose dos Gansos". Quero o meu patê de Foie Gras diário. O Foie Gras é o que se pode chamar de glamour goela abaixo.
Meu leitor adorado, a menos que você seja vegetariano, não se estarreça com meus pleitos mais que sociais. Nem me venha criticar por meus itens de consumo de alto luxo. Quero apenas propiciar que todos vocês também consumam o que há de melhor no mundo. Sacrifício de animal sempre existiu, ou você acha que aquele peito de frango todo trabalhado no hormônio, aquela carne de porco toda trabalhada na cisticercose e até mesmo aquele pedaço de colchão duro todo rendado no nervo foram produzidos em respeito aos supostos direitos dos animais?
Atrocidades por esse mundo é o que não faltam. Agora resta saber se vocês vão se contentar com sua causas meramente sociais ou se vão levantar essa bandeira de seda e abanarem os leques japoneses para as causas mais que sociais.
Domingo
Mais Que Social - Parte I
Eu, Hugo Gloss, não sou só mais uma cabecinha avoada e um lábio carnudo hidratado, neste delicioso mundo da futilidade.
Como pessoa bem vivida que sou, cheguei naquela encruzilhada da vida em que já me diverti demais, já causei demais, já fervi demais, já esbanjei demais... Estou vivenciando um tipo de conflito que nem mesmo 0,01% da população mundial terá o privilégio de enfrentar: o tédio do luxo absoluto. Sinto dentro de mim aquele vácuo existencial, sinto-me aprisionado no vazio glamuroso do Salão dos Espelhos do Palácio de Versalhes.
Nesse momentos, sempre procuro me superar. Sempre busco mais e mais dentro de mim, porque sei que sou uma fonte inesgotável de refinamento na arte do viver bem. Estou em busca algo novo, transgressor e polêmico.
De antemão, já aviso que sou contra os movimentos sociais porque eles se limitam a oferecer uma existência básica ao ser humano. Amados, existe proposta mais medíocre do que fazer um movimento para garantir apenas a subsistência? Isso não estimula ninguém a viver. Esses que se dizem ativistas não entendem que o ser humano vive atualmente uma incessante busca, não da sobrevivência, mas da elegância e da sofisticação. Por isso estou lançando o meu próprio movimento: o “Mais Que Social”. Quero ir muito além do básico.
Vocês podem me perguntar: “Por que não repaginar o Comunismo ou até mesmo a ideia de Democracia Capitalista”? Nem pensar, minhas criaturinhas de existência limitada.
O Comunismo para mim é UÓ. Como crer em uma ideologia que prega a divisão igualitária e forçada da pobreza? Como dar crédito, por exemplo, ao presidente Fidel Castro, que usou a mesma roupa por mais de três décadas? Aprenda uma coisa, amado leitor: nenhuma ideologia resiste à breguice. Ou você acha que se o presidente Lula não tivesse sucumbido aos encantos de um terno Ricardo Almeida, ele estaria arrasando tanto na popularidade? Aprenda outra lição: por trás de um grande homem, sempre tem um grande estilista. E mais, por maior que seja o homem, o terno sempre tem de estar milimetricamente ajustado. Enfim, do Comunismo, não se aproveita nem mesmo a figura icônica do Che, que já foi mais copiada do que uma Chanel 2.55.
Essa ideia de democracia capitalista também não me seduz. Dizem que você é livre. Sim, você é livre para escolher aquele emprego que paga o salário-mínimo mais vale-transporte ou aquele outro que paga o salário-mínimo mais o vale-refeição. Você também pode escolher se vai para o trabalho enlatado dentro de um ônibus ou se pode ir de van clandestina. E tudo isso para quê? Para no final do mês você ter o livre arbítrio de ir ao supermercado e escolher não o arroz de quinta, mas sim o de quarta, porque neste mês você fez hora extra.
Já disse, fifi, ABAIXO O BÁSICO e ADEUS À SUBSISTÊNCIA. Sua existência reluzente vale mais que um prato de comida. Viver a vida? NOT! Eu vim para arrasar na vida.
O movimento “Mais Que social” está além, muito além da mera sobrevivência. Uma causa “Mais Que Social”, antes de mais nada, busca resgatar a dignidade da sofisticação. O “Mais Que Social” incentiva a Elitocracia, em que a elite mais luxuosa e refinada dita as tendências. O “Mais Que Social” não tem uma sociedade, mas sim uma high society, em que todo cidadão é, antes de mais nada, um socialite.
Quer fazer parte “Mais Que Social”, suculento leitor? Aguarde, em breve serão divulgadas as diretrizes do movimento.
Se você pretende ser um ativista das “Causas Mais Que Sociais”, mande a sua reivindicação, diga-me o que te atormenta.
Beijo do Hugo, todo lambuzado de Gloss.
(Texto escrito por @francfloyd, com a colaboração de @camiladmarques)
Terça-feira
F.A.Q do Hugo Gloss
Alguns esclarecimentos sobre o perfil do @hugogloss do Twitter.
1) Hackearam o seu perfil do @christianpior?
Não. Assim como já evoluí do “fake” para o “cover”, agora dei mais um passo na evolução. Não sou mais “cover”, tenho minha própria personagem. De agora em diante atendo exclusivamente pelo nome Hugo Gloss.
2) Por que você fez isso?
Porque mais cedo ou mais tarde isso tinha de acontecer. “Cover” tem dois destinos: ou passa o resto da vida imitando; ou cria vida própria. Obviamente optei pela minha própria personagem.
3) Você vai mudar o seu jeito de ser no Twitter? Vai parar de dar bom-dia?
Não. A essência do “cover” já era o meu EU galmuroso. A única diferença é que agora me expressarei por meio de uma personagem própria.
4) Você foi contratado por uma emissora de TV?
Prefiro não comentar.
5) O nome da sua personagem do programa Pânico na TV também vai mudar?
Se você nunca entendeu que o perfil @christianpior era um “cover” da personagem do Evandro Santo, não vai entender como um “cover” vai se transformar em uma personagem própria.
6) Você saiu do programa “Pânico na TV”?
Meu querido, se você tem esse tipo de dúvida também não deve saber nem mesmo em que planeta está. Nunca fui do Pânico na TV. Pela milésima vez: fui “cover” da personagem Christian Pior no Twitter. Agora não sou mais.
7) O seu nome é Hugo?
Não. Hugo Gloss é o nome da personagem.
8) "Por favor, me divulga? Tenho poucos seguidores!"
Não.
9) Você não faz nada o dia inteiro? Só vive noTwitter?
Colegas, é para quem pode. Ainda não me pagam para twittar, mas vai que numa dessas…
10) Você não dorme?
Vivo no fuso europeu. Recuso a me adaptar a esse horário de terceiro mundo.
11) "Você twitta demais!"
Unfollow me.
12) O seu Twitter é mantido por uma equipe?
Não. Apenas uma pessoa atualiza. Mas dicas vêm de todos os lados.
13) Preciso entrar em contato com você, como faço?
14) O que significa F.A.Q.?
Abreviatura da expressão Frequently Asked Questions. Para você que não conseguiu concluir oFisk, significa "Perguntas Frequentes", em regra, sobre um determinado tema.
MUDANÇA URGENTE!!!
Nosso cover sublime, influenciado por Zaqueu, resolveu largar sua vida usurpadora. Agora temos um novo BOSS... O poderoso @HugoGloss! O Perfil @christianpior foi DESATIVADO ETERNAMENTE, não será mais atualizado por NINGUÉM.... O nosso amado cover, agora todo trabalhado na originalidade, atende ÚNICA e EXCLUSIVAMENTE no @HugoGloss! FOLLOW HIM!!
Quarta-feira
BAFÃO!! Coluna da Mônica Bergamo, Folha de São Paulo
Sumiço de roupas vira escândalo "secreto" na Daslu
Um misterioso sumiço de roupas agitou, por várias semanas, os corredores da Daslu, a butique que congrega algumas das grifes mais exclusivas e caras instaladas no Brasil.

As mercadorias começaram a desaparecer de prateleiras e cabides aos poucos. Mas, em determinado momento, o desfalque chegou a R$ 200 mil.

Há alguns dias, a bomba explodiu: a ladra era uma alta funcionária de uma das joalherias instaladas na própria butique.

Como várias outras mulheres que ocupam cargo de importância em lojas autorizadas a funcionar na Daslu -em geral, pessoas de alto poder aquisitivo e amigas das próprias frequentadoras do lugar -, ela tinha permissão para pegar roupas de grifes e levar à joalheria para mostrar às clientes.

Acontece que, uma vez com a roupa, a gerente retirava os detectores da peça -aqueles que disparam um apito quando a pessoa sai da loja sem pagar -e saía tranquilamente pela porta da frente com a mercadoria surrupiada.

Depois de uma investigação interna, feita com a ajuda de câmeras, o mistério foi desvendado. Os detectores foram encontrados num esconderijo na joalheria. O escândalo, por "razões humanitárias", foi abafado.

A mulher acusada dos furtos foi encaminhada para um tratamento psiquiátrico. A butique não comenta.
(Notícia extraída da versão online da Folha de São Paulo do dia 30 de setembro de 2009. Coluna da jornalista Mônica Bergamo.)
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